O câncer de rim ganhou dois inimigos de peso (Ilustração: Erika Onodera/SAÚDE é Vital)
Há duas novidades para enfrentar o câncer de rim no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso combinado dos remédios ipilimumabe e nivolumabe, da farmacêutica Bristol-Myers Squibb, e a medicação cabozantinibe, da Ipsen, para o tratamento de tumores renais metastáticos – quando já se espalharam para outros órgãos.
“São boas opções para essa doença. Cabe lembrar que, no Brasil, cerca de 30% dos cânceres de rim são diagnosticados em fase avançada”, contextualiza o oncologista Andrey Soares, do Centro Paulista de Oncologia. Vamos conhecer mais essas armas modernas?
Imunoterapia em dose dupla
Comecemos pelo combo ipilimumabe e nivolumabe. Ambas as drogas já são usadas em outros tipos de tumor, separadamente ou mesmo em conjunto. Elas estimulam as nossas próprias células de defesa a atacarem o câncer. Esse tipo de estratégia é conhecido como imunoterapia e faz parte de uma verdadeira revolução recente na oncologia.
No estudo que justificou a sua liberação, a união desses fármacos diminuiu a probabilidade de morte em 37% entre pacientes com tumor renal avançado que não haviam sido tratados anteriormente. Isso em comparação com voluntários que tomaram a droga sunitinibe, da Pfizer, considerada uma terapia padrão e que elevou o tratamento contra esse problema para outro patamar em 2005.
“Além disso, os imunoterápicos oferecem uma melhora na qualidade de vida”, completa Soares. “O paradigma de tratamento que tínhamos há mais de uma década para a doença foi quebrado”, arremata.
Cabe destacar que esses resultados foram observados em tumores renais avançados e mais agressivos. “Por meio de exames, nós separamos esse câncer basicamente em três categorias: risco baixo, intermediário ou alto. Essa combinação está indicada para as últimas duas”, esclarece Andrey.
O ipilimumabe e o nivolumabe são administrados por meio de infusões intravenosas dentro do hospital. A ideia de empregá-los em conjunto é a de incitar nosso sistema imune contra a enfermidade por diferentes vias.
Entre os efeitos colaterais, há a possibilidade de erupções na pele, coceira, cansaço, diarreia e dor de cabeça. Via de regra, sintomas bem mais tranquilos do que os experimentados com a químio.



























