São Paulo – O juiz Sérgio Moro decidiu nesta sexta-feira que o
depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um processo relacionado
a um terreno que seria destinado ao Instituto Lula será presencial, após a
defesa do petista rejeitar a possibilidade aberta pelo juiz de colher o
depoimento por videoconferência.
“Sugeriu o juízo na ocasião a
realização do interrogatório do acusado Luiz Inácio Lula da Silva pelos motivos
ali expostos. A defesa não aceitou. Diante da recusa, o interrogatório será
presencial”, escreveu Moro em breve despacho anexado ao processo.
O juiz também afirmou que a gravação do depoimento de Lula será feita
“da mesma forma que o anterior realizado na ação penal conexa”, se referindo ao
interrogatório de Lula na ação que envolve um apartamento tríplex no Guarujá,
litoral de São Paulo, na qual Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis
meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, sem
determinar que ele fosse preso imediatamente.
Naquela ocasião, Moro proibiu a defesa de Lula de gravar por conta
própria o depoimento alegando que o ex-presidente e seus advogados buscavam
transformar aquele ato processual em “evento político-partidário”.
Na petição em que recusou a possibilidade de um depoimento por
videoconferência nesta segunda ação penal, a defesa de Lula afirmou que
pretendia gravar a audiência em áudio e vídeo, argumentando que essa é uma
prerrogativa dos advogados.
O depoimento marcado por Moro para o dia 13 de setembro acontece no
âmbito da ação em que Lula é acusado de receber como propina um terreno que
seria destinado à construção da sede do Instituto Lula, além de um apartamento
vizinho ao que mora em São Bernardo do Campo.
Ao abrir a possibilidade de que a oitiva fosse feita por
videoconferência, Moro citou “gastos necessários, mas indesejáveis, de recursos
públicos com medidas de segurança” para o depoimento anterior do ex-presidente
em Curitiba.
O primeiro depoimento de Lula a Moro em maio foi cercado de expectativa
e mobilizou manifestantes a protestar contra e a favor do ex-presidente em
Curitiba. Um forte esquema de segurança foi montado para evitar confrontos, com
um total de 1,7 mil policiais militares. Após o depoimento, Lula falou a
milhares de simpatizantes numa praça no centro da cidade.
Lula nega ter cometido quaisquer irregularidades e seus advogados
afirmam que o ex-presidente é alvo de perseguição política promovida por
setores do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário.
Fonte:http://exame.abril.com.br/brasil/moro-decide-que-novo-depoimento-de-lula-sera-presencial/
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