Mesmo que muitas pessoas neguem, o racismo ainda está muito presente em
comportamentos e falas cotidianas da sociedade brasileira. Como prova disso,
uma pesquisa divulgada em um festival de inovação, em São Paulo, revelou que
mais da metade das pessoas entrevistadas já foram vítimas de racismo no
ambiente de trabalho.
Entre os
atos de racismo, entrevistados contam que já tiveram que alisar ou cortar o
cabelo para serem aceitos no trabalho
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Os dados foram informados pela Consultoria Etnus, que organizou a
pesquisa com a intenção de debater sobre transformação social dentro da
programação do festival de inovação WHOW!, que acontece em São Paulo até esta
quinta-feira (27).
Imposição de padrões
Questionados sobre as maiores dificuldades para conseguir ser aceito
pelo mercado de trabalho, 43% ressaltaram a falta de qualificação em primeiro
lugar, seguida pela discriminação racial, com 34% dos apontamentos, e 31%
acreditaram ser por não ter o domínio da língua inglesa.
“As consequências do racismo interferem diretamente na qualidade de vida
e produtividade dos trabalhadores ao psicossomatizar em seus corpos,
contribuindo para o adoecimento de talentos, e, ainda, fazendo com que o
rendimento não seja desenvolvido tanto quanto poderia. Sob a perspectiva
empresarial, um ambiente que propaga o racismo contribui
significativamente
para a baixa produtividade do colaborador, para o desenvolvimento de doenças
físicas e psíquicas”, declarou Fernando Montenegro, idealizador da pesquisa.
Os entrevistados contaram que, para serem aceitos no ambiente de
trabalho, tiveram que alisar ou raspar o cabelo, pratica muitas vezes vista
pela sociedade branca como “normal”. “O gerente disse que eu deveria tirar as
tranças e alisar o cabelo para ficar mais bonita”, contou uma das entrevistadas
na pesquisa, que não teve seu nome revelado.
Outro dado apontado pela pesquisa trata da carreira e recolocação no
mercado. Entre os participantes da análise, 36% afirmaram que não largariam o
emprego para buscar a realização de um sonho porque o fato de ser negro
acarretaria em mais tempo para se recolocar no mercado de trabalho. Segundo o
estudo, a ideia de pedir demissão para encontrar o sucesso ou refletir sobre a
carreira é mais difícil para essa população.
Para Montenegro, a conclusão reforça pesquisas anteriores que
demonstraram que os negros demoram mais para conseguir um emprego caso sejam
demitidos ou peçam demissão.
“Se eu pedir demissão para seguir meus sonhos ou refletir sobre minha
carreira, sei que demorarei muito mais para me recolocar. Além disso, não
saberia como justificar isso em uma próxima entrevista de forma que não
parecesse uma atitude irresponsável de minha parte. Fora que isso suja carteira
[de trabalho] e tenho contas para pagar”, contou uma das entrevistadas pelo
estudo, de nome não divulgado.
*Com informações da Agência Brasil
Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2017-07-26/racismo-ambiente-de-trabalho.html
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